9.5.10

Eu no espelho

Nunca gostei de me olhar no espelho. No máximo para espremer uma espinha ou tirar um cravo, esse sere abominável que tem o mundo todo pra morar mas escolhe logo a cara da gente. O ato de pentear os ralos cabelos dura 5 segundos. De resto, ajeito com as mão e fim de papo. Vitrine de lojas e vidros de carros eu passo longe. Me admira as mulheres que não podem ver um reflexo e já vão esticando o pescoço pro lado.
Me lembrei agora de Henry Chinaski, alter ego do escritor Charles Bukowski numa passagem de um livro. Ele está no banheiro, de ressaca, pra variar: "Me olhei no espelho e penteei os cabelos. Se ao menos eu pudesse pentear o meu rosto. Mas não posso, pensei".
Bom... eu tenho 1,83 metros e há quatro meses pesava 79 quilos. Hoje estou com 60, cravados. 25% de perda de gordura e músculo. É muita coisa, não? Me sinto magro, claro, mas já me acostumei.
Hoje, depois de quase três meses de martírio, tomei coragem e me olhei no espelho do banheiro, antes do banho. E o que eu vi não me agradou nenhum pouco. Sempre tive problema de postura- acho que lordose ou escoliose, ou os dois, sei lá., por que essas coisas sempre estão mal acompanhadas. Mas agora está mais acentuado e triste de se ver. Se bem que se eu ficar ereto, tudo fica normal, mas eu tô me lichando pras costas. Quero que se danem as costas. Nada que futuras flexões e exercícios não resolvam. Então fiquem aí, quientinhas, que em breve eu dou um jeito em vocês. Não perdem por esperar.
As clavículas parecem que vão saltar do corpo formando duas cavidades onde dá pra encaixar qualquer coisa. Um sabonete, por exemplo. As pernas, ou o que sobraram delas as vejo todos os dias. Já nos fomos apresentados e me acostumei com os cambitos. A canelinha mais um pouco eu circundo com o polegar e o dedo médio. O pulso eu rodeio com o mindinho e o polegar. Dedos, finos, aliás, que nem mais é preciso de espuma pra tirar a aliança.
As coxas... Ah, a coxas que nunca foram grande coisa, me levando, desde a adolescência, a ter vergonha de usar calção ou bermuda no dia-a-dia, no futebol ou na praia. Há sete anos, quando engordei de 65 pra 79 quilos, elas ficaram de bom tamanho. Dava até orgulho. Agora estão quase da grosssura da batata da perna. Parece uma coisa só, que nasce na pélvis e vai parar lá no calcanhar, afinando na canela.
A única coisa que dá pra enaltecer é o bimbo, que tá do mesmo tamanho, mas parece maior devido ao contraste com o corpo magro.
Resumindo a bagaça: se caso a quimoterapia tivesse provocado queda de cabelos, me deixado careca e eu tivesse os olhos azuis, o apelido seria inevitável: Smeagol.

3 comentários:

Anônimo disse...

Vc quase esta com o peso de um manequim ! Mas precisa perder ainda uns 5 quilinhos...
"Bimbo" kkkkkkkkk
(Fiquei curiosa pra ver uma foto)

Anônimo disse...

Lixando é com "x". Vc escreveu com CH

Wilson Alves disse...

Que é isso rapaz! Naquela foto (recente) em que você aparece com a patroa e o padre você não tá nada parecido com o “Smeagou”.
Você aí “pra baixo”, nessa depressão toda, só porque não tá bonito feito personagem de Hollywood, sendo que tem gente querendo ver a foto seu “bimbo”... “Pra cima”, Lukas!
Como diria Buzz Lightyear: “Para o Alto e Além!”
Não! Foi mal. Esse negócio de alto e além pra quem já tá doente pode não pegar legal, desculpa aí, mano, esqueça o Buzz.
Por que você não segue a receita do Temporão!? Já que tem coisa aí que ainda tá bombando? Se é que você me entende... (rsrs)

PS. Só para o caso de ser feita alguma confusão, deixo aqui registrado que não sou eu quem está interessado na foto do seu “bimbo”.