25.1.10

Cadê Maringá?

Já gostei muito de futebol. Hoje acompanho de forma tímida o Cruzeiro, pra quem torço desde 1975. Já fui "boleiro" nos anos 70 e joguei por dois anos o campeonato dente- de-leite. Defendi as cores (huahuahaua) do Palmeirinhas do Jardim Alvorada e do escrete (huahuahaa) da Habitasul. Fiz teste no time da AABB e do Central, do técnico Zé Preto. Reprovei nos dois. Eu tinha 11 anos. Aos 15 me apelidaram de Polozi, na época jogador da Ponte Preta e, depois, do Palmeiras. Até hoje, lá na Vila Esperança o pessoal mais velho me chama por esse nome, quando me encontra. É estranho.
Falar em Vila Esperança, olha só que era meu vizinho de casa popular: o goleiro Celso, um negão de quse dois metros de altura. Na mesma rua morava o Eraldo, salvo engano era lateral esquerdo e na rua de cima, na esquina, morava o Ciska. Eu tinha o maior orgulho em dizer que os caras eram vizinhos. Na verdade eram deuses pra garotada.
Durante a Copa do Mundo não bastava uma tabela pra marcar os resultados. Eu marcava em três, quatro e guardava aquilo por anos como coleção. Era viciado em futebol de botão. Jogava sozinho e fazia extensos campeonatos com tabela e tudo. Pegava a revista Placar e recortava o rosto dos jogadores de um monte de times e colava com guspe. Os botões originais eram do São Paulo e do Palmeiras, mas eu enjooei de tanto jogar com apenas dois e aí tive essa ideia. Era horrível quando o Cruzeiro pegava outro time. Eu tinha que ser imparcial, mas era difícil. Os mineiros sempre ganhavam.
Eu fazia o campo no chão de vermelhão da área dos fundos usando giz umidecido. Pênalti (não sei como eu via pênalti nas jogadas) eu batia de olhos fechados pra "facilitar" pro goleiro, já que ele ficava imóvel. A barreira pra falta eu montava com três jogadores, pra dificultar a cobrança. Tinha até expulsão (também não me recordo os critérios, vai saber). Sei que ficava horas si divertindo.
Mas eu não ia escrever tudo isso, não. Veio de repente, essas lembranças e viajei. Vou voltar ao ínicio pra ser suscinto e falar sobre o que senti agora à pouco.
Já gostei muito de futebol. Faz muitos anos que não me emociono mais com o esporte, tampouco perco tempo assistindo ou falando sobre. Mas me deu uma tristeza danada ao ver os gol da rodada da rodada do campeonato paranaense. Cianorte, Engenheiro Beltrão, Toledo, Cascavel, Paranavai... todoo mundo lá, correndo atrás, tentando elevar o nome das cidades. Não sou bairrista, mas senti falta de ouvir o narrador falar MARINGÁ. Me lembrei do Grêmio dos anos 70. Eu arrombava cofrinho e vendia garrafa pra ir ao estádio. Quando pequeno a gente ficava perto da roleta e falava pros adultos nos colocarem pra dentro como se a gente fosse filho deles. Sempre dava certo. Aos sábados o Atacadão colocava um caminhão que ficava o dia todo rodando pela cidade convocando a torcida pro jogo do domingo. Quando muito calor, os bombeiros jogavam água na galera da descoberta. Era uma delícia. No intervalo não dava pra sair pra tomar água que se não não achava mais o lugar vago. Quando tinha grana, o que era raro, a gente chupava sorvete, o que aumentava mais a sede. Mas... O Galo era maior do que qualquer dificuldade.
Então... me lembrei disso tudo-e muito mais- e me deu uma coisa ruim no peito, no estômago, sei lá. Uma espécie de angústia e saudosismo. Nem por mim, porque meu tempo de futebol já era. Fiquei pensando naquele pessoal da época, crianças feito eu, adultos e idosos, que hoje têm as mesmas lembranças e amargam essa proscrição.
O porquê dessa decadência já deve ter sido esmiuçada pelos entendidos. Não li nada a respeito porque o assunto já não me interessa, mas que é doído, é.

4 comentários:

Anônimo disse...

O que acontece com o futebol? o dinheiro fala mais alto, não tem mais emoção, raça, vibração e ingressos baratos.

Tudo se resume aos jogados caros e talentosos que num tão nem aí com a torcida e o time, o que magoa e tira e tira o brilho do espetáculo.

Sem falar na desonestidade dos dirigentes que nem é preciso gastar palavras, não é msm?

Anônimo disse...

Desde o tempo qoe o GALO foi campeão , nas mãos do Dr Marcos Mauro Pena de Araujo Moreira (1977), O time de Mringà tem o nome de outra cidade... Apucarana. Ai não tem Cristo que de solução.

nestor disse...

Não existe mais futebol, hoje existem apenas empresas de futebol, cujo único objetivo é o lucro, torçer é inútil.

ze telles disse...

Muito bom seu texto. Deve reunir tudo isso que escreve em seu blog para um dia publicar em livro, pois retrata uma Maringá que não existe mais. Sei que um blog é um meio de expressão importante nos dias atuais, mas o livro ainda é o meio ideal para a disseminação de idéias.
Parabéns, mais uma vez, e continue a escrever, sempre.