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A mulher da casa ficou independente, cheia de tarefas, aprendeu a dirigir e ganhou o direito de ter um carro. Os sobradinhos com duas vagas de garagem ficaram mais valorizados.
Aí, meus camaradas, a maionese desandou: é carro pro pai, pra mãe, pra filha, pro filho, pra empregada, "carro do rodízio", e chegamos ao residencial dos sonhos de todo paulistano de boa cepa: UMA CASA COM MAIS APOSENTOS PARA OS CARROS DO QUE PARA AS PESSOAS. Dez andares para cima, e vinte subsolos.
Depois não sabem porque o trânsito é caótico em SP. Logo mais, veremos por aqui carros com vontade própria, andando sem pessoas dentro, reclamando da qualidade do combustível e da iluminação da sua "suíte". Já pensaram em uma "carreata autônoma"(?) contra a carestia do óleo sintético? Pelo direito de usar pneus remoldados sem sofrer preconceito?
Ainda virá para esta cidade um prefeito cabra-macho, que decretará a demolição de todos os imóveis, transformando todo o espaço em ruas e estacionamentos, forçando os munícipes a morarem dentro de seus modernos carros-casa, dotados de todas as mordomias de um residencial luxuoso. Esta é a verdadeira solução para o caótico trânsito paulistano. (Do ótimo blog Com Fel e Limão)
Transcrevi esse texto porque a situação deve se repetir aqui em Maringá dentro de alguns anos.
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